Resenha: Stolen Songs, Samantha Armstrong

23 novembro 2017

Maddison é uma sobrevivente. Uma infância instável lhe ensinou a não depender de ninguém além de si mesma, e foi exatamente assim que ela chegou onde está hoje. Com uma bolsa de estudos em uma das escolas mais prestigiadas do país, ela finalmente se estabelece em um lugar até se formar. Mas com seus pais adotivos viciados em drogas, Maddison é obrigada a roubar para sustentar a si e a seus irmãos adotivos.

Kingsley é podre de rico. Filho único, ele mora com a mãe que é dependente de álcool, um pai que não fala com ele, e seu chefe de cozinha, a única família de verdade que ele tem. Sua vida muda quando ele ouve Maddison tocando violino. Ela é esperta, sexy, não quer nada com ele, mas ele está obcecado. À medida que passam algum tempo juntos, ela começa a baixar a guarda. Ela é tudo o que ele precisa, tudo o que ele quer, e pela primeira vez, ele é capaz de contar para alguém o seu passado. As coisas estão perfeitas. Até ele arruinar tudo.

Stolen Songs é uma história profunda de cortar o coração que fala sobre esquecer o passado para se apropriar do futuro, encontrando forças em seus erros e dando tudo o que você tem para curar aqueles que você magoou.


Publicado em julho deste ano, Stolen Songs foi um achado maravilhoso, encantador e super bem-vindo. Aliás, preciso deixar registrado que as minhas melhores leituras de 2017 devem-se, em grande parte, a esses achados mágicos que tive a sorte de encontrar. Esta obra, romance de estreia da autora neozelandesa, Samantha Armstrong, não só narra uma história de amor que nasce através da música, como também pontua questões difíceis que envolvem a vida dos personagens, as quais acabam determinando suas ações e o resultado delas. 

A trama nos apresenta dois personagens com realidades completamente distintas, mas que encontram na música e no dia a dia afinidades, sonhos e sentimentos inimagináveis.

Maddison é uma jovem prestes a completar 18 anos que vive em um mesmo lar adotivo há três com seus irmãos mais novos e seus pais viciados. A falta de uma base familiar sólida e a negligência constante de Angela e Darren com seu filhos adotivos faz com que a jovem sinta-se obrigada a fazer algo para colocar comida dentro de casa e alimentar seus irmãos. Para que isso aconteça, Maddison começa a roubar. Moradora do subúrbio da cidade, ela possui uma bolsa de estudos que lhe permite frequentar uma das melhores escolas locais, e encontra, nas notas de seu violino, refúgio da árdua realidade em que vive. O sonho de Maddy é garantir uma vaga em Juilliard e proporcionar a vida que seus irmãozinhos merecem: longe da fome e violência, mas perto de muito amor. 

Kingsley aparece de maneira inesperada. Rico e jogador de lacrosse conhecido como o rei da escola, seus braços se tornam um abrigo para Maddison. Após ouvi-la praticando na sala de música e depois de muita insistência, eles finalmente começam a se entender. Para a surpresa de Kingsley, Maddy abraça seus maiores medos. Após 13 anos, o rapaz ainda vive com o peso de seu passado sobre ombros. Um ato inocente de uma criança que acabou determinando seu futuro. Sua mãe vive alcoolizada, e seu pai não liga para ele. Assim como Maddison, Kingsley também possui uma válvula de escape. Em seus dias mais difíceis, ele se entrega às drogas e é o fornecedor mais procurado pelos amigos do colégio. 

Confesso que quando iniciei a leitura fiquei um pouco confusa entre o prólogo e o primeiro capítulo, mas depois, fui começando a entender e a me adequar a escrita da autora. No decorrer da narrativa, Armstrong vai costurando a história de modo a interligar totalmente a vida desses personagens, mostrando que a maneira de agir de um pode, e vai, influenciar de alguma forma a vida do outro. 

O livro termina de um jeito que, sinceramente, não gostei muito. Não gostei porque não foi como eu queria. Mas hoje, sabendo que haverá uma continuação, fiquei bem mais tranquila. 

Por ser o romance de estreia da autora, Stolen Songs me surpreendeu de um jeito especial. Ele vai conquistar seu coração e o destruirá lindamente na mesma proporção.


***


Nós continuamos comendo. Depois de um momento, ele olha para mim. "Então, Maddy, quais são os seus sonhos?"
Eu engulo a comida. "Meus sonhos?"
"Sim, quais são os seus sonhos?"
Eu penso naquilo por um momento. Eu tenho alguns sonhos, mas eles são todos baseados em apenas um. "Ir para Juilliard e tocar violino pelo resto da minha vida."
"Gosto desse sonho. Você tocaria em uma orquestra, ou você gostaria de se apresentar sozinha?"
"Acho que gostaria de tocar em uma orquestra. E você, Kingsley? Quais são os seus sonhos?"
Ele dá de ombros. "Ainda estou no processo."
"De que?"
"Sonhar."


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*Cover Reveal* - Behing the Bars, Brittainy C. Cherry

21 novembro 2017

Mais um livro de Brittainy C. Cherry está pronto para conquistar o coração do leitor. Behind the Bars é o novo trabalho da autora e tem lançamento previsto para 7 de dezembro na Amazon e outras plataformas de leitura. Hoje, é com prazer, que revelamos a capa que vai ilustrar a história de Jasmine e Elliott.

Quando eu encontrei Jasmine Greene pela primeira vez, ela apareceu como pingos de chuva.

Eu era o músico esquisito, e ela era a rainha do ensino médio. As únicas coisas que tínhamos em comum eram a nossa música e a nossa solidão.
 

Algo em seus olhos me disse que seu sorriso nem sempre era verdadeiro. Algo em sua voz me deu a esperança que eu sempre desejei encontrar. E em um piscar de olhos, ela se foi. Anos depois, ela estava parada na minha frente em uma rua de New Orleans. Estava diferente, assim como eu. A vida nos fez frios. Rígidos. Isolados.

Enjaulados.

Mesmo diferentes, as partes partidas de mim reconheceram a tristeza nela. Agora, ela está de volta, e eu não cometerei o mesmo erro de deixá-la escapar de novo.

Quando eu encontrei Jasmine Greene pela primeira vez, ela apareceu como pingos de chuva. Quando a encontrei novamente, ela era a tempestade sombria.

                                































Confesso que amei essa capa, porque, por algum motivo, ela me fez lembrar de Art & Soul, um dos meus livros favoritos da Brittainy. Além disso, fiquei super feliz ao saber que o design foi todo feito por ninguém menos do que Kandi Steiner, a pessoa que roubou meu coração com último seu livro, On the Way to You.

E para o caso de vocês já estarem se perguntando, os modelos da capa são Sammy e Shailey.

Resenha: On the Way to You, Kandi Steiner

17 novembro 2017

Contém spoiler.


O que te faz feliz?

Essa foi a pergunta que Emery Reed me fez no dia em que nos conhecemos, e eu não consegui lhe dar uma única resposta. Eu poderia ter dito meu cachorro, ou meus livros, ou yoga — mas eu simplesmente o encarei.

E então entrei em seu carro.

Era loucura pegar a estrada com um estranho, mas após anos paralisada, ele era o meu passaporte para uma nova vida, e eu não ia deixá-lo escapar.

Nós compartilhamos o mesmo espaço, o mesmo carro, o mesmo quarto de hotel — e ainda assim, éramos estranhos.

Um dia estávamos rindo, no outro, não nos falávamos. Emery estava rodeado por paredes impenetráveis, mas eu queria ultrapassá-las. Descobrir o seu diário mudou tudo.

Eu li seus pensamentos, palavras que não diziam respeito aos olhos de ninguém, e quanto mais eu aprendia sobre ele, mais eu me apaixonava. Nada fazia Emery Reed feliz, e eu queria mudar isso.

Eu ganhei sua confiança violando sua privacidade, e por mais errado que fosse, funcionou — até o momento em que um registro revelou a escuridão que eu nunca soube que existia, um relógio que eu nunca soube que funcionava.

De repente, o que me fazia feliz era salvar Emery de si mesmo. Eu só não sabia se conseguiria.

Peguei On the Way to You para ler no momento exato em que ele chegou no meu Kindle, e não consegui parar de jeito nenhum. Acho que bati meu record de tempo lendo um livro. A história me prendeu de uma forma tão pessoal e profunda que fiquei imersa nesse mundo maravilhoso que Kandi Steiner criou para Emery e Cooper.


Basicamente, a história desses dois personagens baseia-se em uma road trip. Em sua passagem pelo Alabama, Emery Reed conhece Cooper Owens, uma jovem que trabalha em uma lanchonete local, que vive com os pais negligentes e desinteressados pela única filha, e sonha pegar a estrada rumo à Seattle. Cooper passa anos economizando, tentando juntar a grana necessária para começar uma nova vida. Mas é nesse intervalo entre trabalhar e juntar dinheiro que ela percebe estar apenas planejando e nunca agindo de fato. O cenário muda com a chegada de Emery e sua pergunta para lá de desconcertante: "O que te faz feliz?" A partir de então, Cooper se vê questionando tudo e, pega de surpresa, aceita o convite de Emery de cair na estrada. Mesmo sabendo que o rapaz é um estranho, que pode ser tudo, inclusive um serial killer, ela decide que aquela é a sua chance de deixar para trás todo o sofrimento que foi sua vida em Mobile. 

Alabama, Mississipi, Louisiana, Texas, Colorado, Seattle. Entre longas estradas e paisagens de tirar o fôlego, Cooper descobre os prazeres da vida. Vê coisas que nunca imaginou, conhece pessoas que nunca pensou conhecer e lida com situações que nunca considerou se envolver. Mas além de tudo, ela aprende a conviver com Emery, embora não consiga compreendê-lo completamente. Um dia com ele pode ser o mais feliz de sua vida, mas pode se tornar também, o mais triste e silencioso de todos. Viver com ele é estar no meio de dois extremos. É saber que um momento feliz não garante a felicidade do momento seguinte. É ter consciência de que há dias bons e dias ruins, e quando os dias ruins o aflige, nada o faz levantar.

Essa dicotomia inquieta Cooper a ponto de fazê-la violar a privacidade de Emery e ler os pensamentos não ditos que ele compartilha em um diário. O que para ela ajudaria a entender os sentimentos mais profundos e íntimos do rapaz, acaba revelando seus objetivos. Para Emery, Seattle guardava o momento que ele tanto esperava. O ápice de sua vida. A chance de acabar com todos os dias ruins e encontrar a paz que tanto buscava.

Em On the Way to You, Steiner aborda com muito carinho as condições e circunstâncias em que vivem os dois personagens. Com cuidado, delicadeza e uma escrita exemplar, ela nos mostra as dificuldades que é enfrentar uma depressão e sentir que tudo o que você faz não tem valor. Acreditar que tudo o que resta é o desapontamento e a infelicidade. Ela também destaca com muito zelo que é possível encontrar a felicidade mesmo nas limitações. 

Esse livro realmente me tocou. Amei cada capítulo, cada registro em diário, cada personagem. Foi de fato um dos melhores que li este ano.

Para terminar, deixo aqui a pergunta: O que te faz feliz?













Eu a beijei.
Sou um idiota egoísta e eu a beijei.
Ela nunca foi realmente beijada, e parados lá, olhando as montanhas e as estrelas, eu não conseguia parar de olhar seus lábios perfeitos e pensar em como era lamentável que ela nunca tivesse sido beijada. Eu estava pensando em como seus lábios ficariam contra os meus. Imaginando se ela suspiraria e se inclinaria na direção do toque ou se ficaria corada e se afastaria. E ao invés de fazer a coisa certa e manter aqueles pensamentos em minha mente, ao invés de esquecer isso, eu a beijei. 
E agora, eu estou ferrado.
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