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A Little Too Late: leia um trecho exclusivo do novo livro de Staci Hart

20 outubro 2017

No início da semana trouxemos para vocês a resenha do novo lançamento de Staci Hart, o livro A Little Too Late. Hoje, você poderá curtir um trechinho exclusivo da história, contado sob o ponto de vista de Hannah. 


Hannah

A primeira vez que vi Charlie Parker, eu não vi apenas uma coisa por vez; eu vi tudo nele. Foi uma agressão aos meus sentidos, uma onda avassaladora de consciência, e por um momento, os detalhes chegaram até mim em flashes de apenas segundos, mas que pareceram muito mais longos. 

Seu cabelo era loiro e delicadamente desordenado, seu rosto longo e nariz elegante. Eu podia sentir seu cheiro, limpo e refrescante com um toque picante que eu não conseguia decifrar. Eu levantei meu queixo — ele era alto, mais alto do que eu, e eu tinha 1,80 de altura — e encontrei seus olhos cor de terra, marrom e tão profundos. Tão, mas tão profundos.

Então ele sorriu.

Ele era lindo quando não estava sorrindo. Ele era irresistível quando estava.

Eu estava tão perdida naquele sorriso que não me dei conta da massa voadora até atingir o meu suéter. Pequenos respingos de algo frio salpicaram meu pescoço.

Foi neste momento que o relógio voltou a funcionar novamente, e a doce serenidade transformou-se em caos.

Um garotinho loiro ao lado de seu pai olhou para mim com um brilho diabólico em seus olhos escuros. A colher em sua mão estava coberta de geléia vermelha, apontada para mim como uma catapulta vazia.

Várias coisas acontecer de uma só vez. A expressão de Charlie se transformou em frustração envergonhada  quando ele alcançou o menino que, presumir ser seu filho. O garoto — Sam, adivinhei pelos nomes que foram dados pela agência — girou rapidamente e correu pelo corredor, rindo. Outra criança começou a chorar de algum lugar na casa, e uma vasilha caiu com estrondo no chão, seguida de um palavrão que parecia vir de uma mulher mais velha.

Eu olhei para a bagunça escorregadia e pegajosa no meu suéter branco e comecei a rir.

A cabeça de Charlie se virou para mim, seu rosto coberto em confusão, depois em horror, enquanto ele olhava para a pintura de Pollock no meu agasalho.

"Ah meu Deus," ele suspirou, seus olhos arregalados desculpando-se, enquanto arrastavam-se pelo meu corpo. "Jesus, eu sinto muito."

Eu ainda estava rindo, quase um pouco histérica. Não conseguia nem dizer o porquê.

Eu acenei para Charlie, ele me segurou pelo cotovelo, guiando-me pela casa quando prendi a respiração.

Outro ruído veio da cozinha, e uma garotinha apareceu na entrada, deixando pegadas em pó sobre a madeira.

O rosto de Charlie se contorceu. "Sam!" ele chamou, prolongando a palavra, uma promessa de consequências.

Uma risada barulhenta irrompeu na cozinha.

Nós nos movemos rapidamente. Eu o segui enquanto ele pegava sua filha chorosa e se dirigia para a cozinha. A garotinha me observava através do ombro dele com grandes olhos marrons, a respiração se transformando em pequenos tremores, seu dedinho dentro da boca.

Charlie parou tão de repente que eu quase colidi com ele.

Quando olhei ao seu redor e dentro da cozinha, meu queixo caiu. Cobri minha boca com os dedos quando uma risada brotou em minha garganta. 

Uma saco de farinha estava no meio do chão, o pó branco sendo lançado em rajadas contra as superfícies e flutuando no ar como fumaça. O chão próximo ao saco era o único lugar limpo, moldado na forma de um bumbum — o da garotinha, presumi. Uma tigela estava de cabeça para baixo, seu conteúdo escorrendo pela borda e criando um anel do teto ao móvel e ao chão, como se tivesse dado uma cambalhota magistral a caminho do fim. E no meio da loucura estava uma senhora com farinha em seu cabelo escuro e pó dos pés a cabeça. Preso embaixo de seu braço estava Sam se retorcia com a colher ofensiva ainda na mão. 

O rosto dela era gentil mas rígido de exasperação. "Por favor, diga que esta é a nova babá," ela disse com franqueza.

"Eu duvido que possamos convencê-la a ficar depois disso," ele disse igualmente sem rodeios.

Resenha: A Little Too Late, Staci Hart

17 outubro 2017

Eu não deveria me apaixonar pela babá.

Quando minha esposa foi embora, ela levou consigo a ilusão de felicidade, e desde então, vivo em queda livre. Por nove longos meses, lutei para descobrir como ser um pai solteiro e como viver sozinho.

Por nove longos meses, eu tenho falhado.

Quando Hannah passou pela porta, eu pude respirar aliviado pela primeira vez desde que percebi que estava sozinho. Ela entrou em nossas vidas com facilidade, mostrando o que eu tenho perdido em todos esses anos. Hannah me fez sorrir quando eu pensei que havia empacotado a noção de felicidade junto com meu álbum de casamento.

Ela deveria ser apenas a babá, mas ela é muito mais.

O dia em que minha esposa foi embora deveria ter sido o pior dia da minha vida, mas não foi. Foi quando Hannah foi embora levando meu coração com ela.





Conheci os trabalhos de Staci Hart no início deste ano quando ela se preparava para lançar o romance inspirado em Persuasão: A Thousand Letters. Na mesma hora me inscrevi para receber um ARC do livro, porque simplesmente estava apaixonada pela capa e pela ideia de ser inspirado na obra de Jane Austen. Desde então, mantenho meu detector de livros mágicos sempre ligado e atento aos novos lançamentos dela que, por sinal, é o assunto deste post.

Na resenha de hoje preciso contar para vocês o que achei do novo livro da autora, A Little Too Late, mas não sei por onde começar. Se eu fosse youtuber estaria gaguejando neste momento, de verdade.

Para início de conversa, A Little Too Late deu início a sua estratégia de arrebatamento começando pela capa e no final, eu já estava fascinada, apaixonada e extremamente feliz com a história. Parte disso deve-se ao tratamento dado pela autora à narrativa e aos personagens, mas, acredito que pelo menos dez porcento deve-se também à certa proximidade que tenho com o tema retratado na obra.  

O livro conta a história de Hannah, uma jovem holandesa que se inscreve no programa de au pair e vai para os Estados Unidos fazer intercâmbio enquanto tira algum dinheiro cuidando de crianças. Neste tipo de intercâmbio a menina se inscreve numa agência, preenche um formulário gigantesco chamado application e, se considerada apta, faz entrevista por Skype com diversas famílias americanas cadastradas no programa a fim de conseguir uma babá para seus filhos. Ao aplicar para o programa as meninas tomam conhecimento de várias regras que devem ser obedecidas não só pelas au pairs, mas também pela família acolhedora ou host familyHannah foi então para a casa de Quinton  (esqueci o sobrenome da família) em Nova Iorque, mas as coisas não acontecem como ela pensava que aconteceria, então ela acaba desistindo da família e pedindo demissão. Quando coisas assim acontecem, a jovem entra em estágio de rematch, onde ela tem um prazo para conseguir outra família, caso contrário, ela tem que retornar para seu país de origem. Mas graças ao Pai e a Staci, Hannah vai parar na casa de Charlie, onde começa a cuidar de Sammy e Maven. 

"Ela deveria ser apenas a babá."

Charlie é um cara sério, respeitador, paizão, mas tem a vida muito conturbada. Ele e seus filhos foram abandonados pela mãe/esposa, Charlie descobriu que estava sendo traído e sua vida estagnou de um jeito angustiante. Ele praticamente se afoga no trabalho para manter a casa e se desdobra entre seus afazeres profissionais e seu papel de pai. Charlie sabe que precisa ser mais presente, ele quer se fazer presente, quer ser o pai que seus filhos merecem, mas nunca há tempo suficiente para que isso aconteça, e ele parece não encontrar forças e motivação para mudar sua vida até conhecer o sorriso de Hannah, testemunhar sua leveza de espírito e sua forma doce e positiva de ver as coisas. 

Resumindo, A Little Too Late nos mostra o desenrolar dessa história que se inicia com a aproximação de Charlie e Hannah. Retrata os obstáculos que eles enfrentam o tempo todo, seja por motivos de ex-mulher ou ex-hostdad, seja pela insegurança de Charlie de enfrentar seu medos ou por sua dificuldade em confiar e aceitar quem nem todos são iguais a mãe de seus filhos. Hannah é muito mais, e ele precisa relaxar e aprender a conviver com isso, com a felicidade e o tanto de coisas boas que Hannah proporciona. 

Maravilhoso, intenso e angustiante. Você vai tentar enrolar na leitura só para ela durar mais e mesmo assim, não vai ter sucesso.

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